Ao municiar a jovem advocacia do necessário à melhor atuação, os envolvidos no ensino jurídico servirão melhor à sociedade

Em evidência, principalmente diante de operações policiais voltadas ao combate à corrupção, as carreiras jurídicas têm se destacado em todos os noticiários brasileiros nos últimos tempos. Por mais controversa que seja, essa realidade não pode ser desconsiderada. Nesse contexto, dados apontam que o bacharelado em Direito tornou-se o mais frequentado no Brasil, país que possui o maior número de faculdades aptas à oferta do curso em todo o mundo.

Por consectário mais tradicional, cresce o número de advogados habilitados no país, apartadas as críticas ao Exame de Ordem, alheias ao cerne da presente análise. O destaque fica para o Brasil contar com mais de 1 milhão de advogados, o que torna o exercício da profissão - consagrada pela Constituição como essencial à administração da Justiça - uma hercúlea e desafiadora missão.

Criticada pelos estudiosos, a qualidade do ensino jurídico brasileiro acentua a gravidade da situação da jovem advocacia. Centradas nas também necessárias disciplinas propedêuticas, materiais e processuais, as graduações em Direito se afastam da orientação à prática do múnus público da advocacia. Egressos das faculdades, os bacharéis, muitas vezes, enfrentam dificuldades no manejo de elementos básicos e indispensáveis à militância na seara.

Diante disso, indispensável se faz a releitura das grades ofertadas aos acadêmicos, com a inclusão de disciplinas prioritariamente práticas. Noções aplicadas de informática, operacionalização dos sistemas eletrônicos adotados pelos Tribunais, prospecção de negócios em observância à ética profissional, marketing pessoal e oratória são alguns dos muitos elementos de carência. Em comum, a essencialidade de cada um destes quesitos ao pleno exercício da atividade.

No país em que um terço dos negócios abertos fecha em até 2 anos, quanto mais qualificação, maiores as probabilidades de êxito. Assim, às instituições de ensino cabe também potencializar o pragmatismo dos bacharelados em Direito. Tal desiderato certamente pode ser alcançado através da celebração de parcerias multifacetadas, envolvendo entidades como a própria OAB, com suas Escolas Superiores de Advocacia, e o Sebrae, dotado de expertise em matéria de empreendedorismo.

É certo que o esgotamento no campo teórico não é possível, pois a prática cotidiana permanentemente apresenta situações inovadoras, o que é característico da vida em sociedade e dos conflitos dela decorrentes. Entretanto, ao municiar a jovem advocacia dos elementos necessários à melhor atuação, os agentes envolvidos no ensino jurídico brasileiro, ladeados, servirão melhor à sociedade, oferecendo-lhe profissionais ainda mais gabaritados à representação dos seus interesses.


Autor

  • Lerroy Tomaz

    Advogado, consultor jurídico, pesquisador, pós-graduando em Direito Público pela Universidade Salvador (UNIFACS), bacharel em Direito pela Faculdade Ruy Barbosa, possui curso de extensão em Direito Processual Civil pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), articulista nas obras "Advocacia Pública e o Novo Código de Processo Civil", publicada pela Editora Fórum, em 2016, e "Família, Interfaces e Conexões", publicada pela Editora CRV, em 2018. Email: lerroytomaz.adv@outlook.com.

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Informações sobre o texto

Texto originalmente publicado na editoria de Opinião do centenário jornal A Tarde, na edição de 04/06/2018.

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