Na votação que se aproxima, fica a esperança de que, ao invés de um voto de permuta, os eleitores brasileiros registrem um voto consciente e consistente.

Nessa reta inicial do processo de escolha dos candidatos a Presidente da República, já se começa a ver o diálogo dos eleitores sobre quem será o melhor governante do Brasil. Muitos querem que o candidato mais preparado conduza o destino da nação, de forma a se conquistar, nos próximos quatro anos, um importante crescimento econômico, político e social.

Tal desejo não é nenhuma novidade. De fato, há bastante tempo se comenta que o melhor governante é aquele que reúne mais qualidades para administrar a coisa pública. Mas quem seria tal político?

Experiências acadêmicas do candidato, capacidade de iniciativa, equilíbrio emocional, tudo influencia na escolha do eleitor. E alguns creem, nesse cenário, que o melhor governante é aquele bem formado intelectualmente. Pensam que a formação educacional do candidato bastaria para que a coisa pública fosse gerida adequadamente.

Por outro lado, há quem despreze a característica intelectual e vote pela mera afeição com a imagem do candidato. Ou vote até mesmo pelo simples desejo de manutenção do status quo, com o objetivo de não ver a sua situação pessoal piorada pela mudança de governante.

Outros, ainda, manifestam a escolha democrática com base em ideias corporativas. Esses fazem parte de grupos politicamente fortes, compostos por médicos, advogados, metalúrgicos, servidores públicos e outros, e votam pela afinidade com o candidato que bem tratará das questões de classe, objetivando uma melhoria profissional.

Como se verifica, diversos são os tipos de eleitores, e cada um tem a sua forma de escolher o governante. O importante, entretanto, é que a manifestação do eleitor se dê de forma prudente, com conhecimento dos riscos e benefícios que o seu voto pode gerar para a toda a sociedade brasileira, tendo por norte o disposto no preâmbulo da Constituição Federal de 1988:

Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil.

Também não custa lembrar que a Lei Maior consagrou o princípio da soberania popular em seu art. 1, parágrafo único, estabelecendo que todo o poder emana do povo e deverá ser exercido por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. Logo, sendo o povo brasileiro legítimo detentor do poder político, esta aí a clara responsabilidade que possui perante o processo eleitoral.

Não sem razão é que o eleitor do candidato mais intelectual deverá estar ciente de que, no regime democrático brasileiro, o governante pouco pode usar da inteligência sem a participação efetiva do Poder Legislativo e dos partidos políticos. Já aquele que votará pela afeição com a imagem do candidato deverá ter cuidado com os diversos “lobos em pele de cordeiro” que existem por aí.

E aos eleitores que estão interessados na manutenção do status quo ou preocupados com as questões de classes, não custa lembrar a existência de importantes necessidades da coletividade, principalmente nas áreas da saúde e da educação.

De todo modo, na votação que se aproxima, fica a esperança de que, ao invés de um voto de permuta, os eleitores brasileiros registrem um voto consciente e consistente.



Informações sobre o texto

Como citar este texto (NBR 6023:2002 ABNT)

FERREIRA, Marcelino José Alves. Por um voto consciente e consistente. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 19, n. 4035, 19 jul. 2014. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/30256>. Acesso em: 20 fev. 2018.

Comentários

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    helio pessoa

    É, mas, com a Dilma com a caneta na mão, com a "burra" cheia e a falta de respeito para com a constituição e as lei, torna-se muito difícil pensar numa eleição realmente democrática. Seria necessário um discurso muito convincente e persuasivo da oposição, especialmente franco, leal e esclarecedor, para mudar o curso tenebroso da história das próximas eleições.

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    Ricardo

    Só quem nunca teve a mínima experiência de participar de um pleito eleitoral candidatando a pelo menos ao cargo de vereador é que fala em voto consciente e consistente. O pais vive um problema cronico no seu sistema eleitoral e muito mais que que isso, estrutural. Não adianta termos consciencia do nosso voto, escolhermos aquele candidato trabalhador , honesto e que queira de fato contribuir para a sociedade. Os candidatos com esse perfil dificilmente conseguem se eleger pois o sistema é corrupto, caro e tendencioso. Quando mesmo assim consegue-se eleger alguém com características ideais ao propósito, o meio a que passa a frequentar e militar o corrompe. Só acredito que teremos os melhores eleitos quando estes tiverem como participar. Descobri em uma única tentativa de me eleger a um cargo político, que a doença da corrupção está enraizada no próprio eleitor.
    Assim em primeira mudança estrutural precisamos acabar com o pagamento de salário aos vereadores de mais de 80% dos municípios brasileiros, estes com população de menos de 50.000 habitantes. Está cheio de voluntários e pessoas que gostariam de dar sua contribuição para a comunidade de forma gratuita e que não conseguem pois tem que pagar para se eleger. O grande premio que se pode pagar a um cidadão para que exerça o cargo político é o status de ser um trabalhador em prol da sociedade. Outras mudanças estruturais são também muito importante como por exemplo acabar com a reeleição de deputados, desta forma acabaria com as castas existentes dentro do congresso e das câmaras legislativas. Se assim não for, esquecem o voto consciente pois ele jamais será consistente.

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    hamilton henriques dos anjos

    O artigo é conciso, mas muito positivo.Sou francamente favorável que todos devam participar do pleito eleitoral, escolhendo seus candidatos. Mas muitas pessoas se perguntam: " mas se o voto é um direito do cidadão (â), uma prerrogativa, como deve proceder, se ao comparecer a sua Zona Eleitoral e diante da urna eletrônica, não tiver sido convencido em consignar o voto para nenhum partido ou candidato, o que fazer, como então de forma correta,legal, deverá proceder para anular seu voto,quais as teclas deve apertar e confirmar". O interessante de tudo isso, que trata-se de uma Informação Pública Oficial que até hoje a Justiça Eleitora insiste em não enfrentar, como se fosse segredo de Estado.

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