O Estado de Israel, como “Estado Judeu” tem algo que ver com as novas/velhas fórmulas do nazi/fascismo.

~~O Estado de Israel, como “Estado Judeu” – só para judeus e dirigido por sionistas – tem algo que ver com as novas/velhas fórmulas do nazi/fascismo. Os exemplos atuais, de bombardeios na Faixa de Gaza contra hospitais e escolas da ONU (Organização das Nações Unidas), são elucidativos. Toda forma de terror deve ser combatida, assim como o racismo e o anti-semitismo; porém, o sionismo que pratica atos de genocídio deveria sofrer duras sanções e julgamento pelo TPI (Tribunal Penal Internacional). Se os atos de morte indiscriminada fossem cometidos em algum país africano, na Síria, no Egito ou na Chechênia, certamente, o Conselho de Segurança da ONU já teria sido acionado. Exatamente como ocorreu com Sadam, no Iraque hoje destruído e sem soberania; o mesmo palco do fosso político em que se forma a mais aterrorizante reinvenção de Roma.
 Essa nova/velha forma-Estado não responde aos comandos do Totalitarismo – como fora a própria Alemanha nazista –, pois, apenas declara estar em guerra contra seu agressor (palestinos e muçulmanos em geral), alega se defender da ação hostil (“hostis”, no latim, quer dizer inimigo, que gera intolerância absoluta, extrema hostilidade, beligerância). Além do que, Israel não teria forças para uma política terrorista global.
 O outro lado da moeda – porque não são antípodas – corresponde à formação de um Estado Islâmico, bem como se anuncia a instauração de um Califado, entre a Síria e o Iraque. Este sim tem pretensões totalitárias, haja vista que o Califa outorga-se a regência e o governo de todo o mundo islâmico. O Califado deve ser construído com as vigas em que os inimigos foram crucificados e sobre os buracos do lodo humano. Ensandecido pela religião mórbida, outros “hostis” são enterrados vivos. Não há moral alguma no vilipêndio de cadáver. Ali, copia-se Roma em seus detalhes mais intumescidos. Não basta que a morte seja pútrida, deve vir acompanhada de tudo que é nojento, escabroso. Cria-se um Estado Necrófilo, bizarro, com origem na cropofilia.
Contudo, há em comum, entre o Estado Judeu e o Califado, o sectarismo, o barbarismo, os atavismos ligados aos mais insanos desejos de poder, subjugação e morte. Para ambos, independente do TPI, já alertava o grande jurista alemão Hans Kelsen, retome-se as noções medievais de punibilidade do justus hostis e assim lhes negaremos o Princípio da Legalidade. Os praticantes desta guerra sabem que agem de forma absolutamente imoral e, por isso, devem ser julgados, independentemente de lei anterior que defina a ação como crime.
Neste caso, não há exagero em Kelsen, porque sabia combater a política que degenera o humano. Tinha plena consciência de que os genocidas tratam a todos como o “Homo Sacer” romano: o limbo jurídico em que estão depositadas as covas dos que não devem, não precisam viver, porque nunca existiram de fato. Na Roma do senador Cícero, os animais de outrem, feridos ou mortos indevidamente deveriam ser ressarcidos, sob a tutela do Direito. O Homo Sacer é um saco de lixo que se pode chutar, atear fogo, rasgar inteiramente. Se bem que, no Estado de Direito civilizado, seria crime ambiental.
Para hoje, respeitar os julgamentos do TPI estaria de bom tamanho.
 


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