Quanto mais a recessão se agrava, mais empresas entram no vermelho. Por isso mesmo as empresas precisam ficar atentas às quatro armadilhas que podem destrui-las e saber como escapar delas.

Saiba quais são e como escapar delas!

Quanto mais a recessão se agrava, mais empresas entram no vermelho. Empréstimos começam a vencer, sem serem pagos, fornecedores passam a receber com atraso e a folha de pagamento começa a ficar pesada, quase insustentável.

A cada dia, multiplica-se o número de empresas inadimplentes que, sem poderem honrar seus compromissos financeiros, terminam por fechar as suas portas.

Não há como negar que a crise econômica atingiu em cheio não somente as micro, pequenas e médias empresas, mas todo o Brasil. Recessão com inflação é a mais perigosa combinação para os negócios de um país, pois torna o dinheiro a mais cara e rara mercadoria, violentamente disputada por todos, como água em um deserto.

O grande problema, mas que pode se tornar uma grande oportunidade, é que a crise da economia está longe de ser a única causa de declínio das empresas.

Como um poderoso navio, que enfrenta tormentas e tempestades, as organizações devem ser estruturadas para suportarem momentos de dificuldades, sem necessariamente naufragarem.

Existem muitas outras razões para as empresas entrarem em processos de elevado grau de endividamento, que podem, muitas vezes, levar à extinção das mesmas, caso não sejam devidamente equacionadas.

Separamos, abaixo, as quatro principais armadilhas que se colocam no caminho dos administradores e gestores de empresas, em nossa modesta opinião:

1. ENDIVIDAMENTO BANCÁRIO

Advogando nesta área há quase duas décadas, podemos garantir que a forma como os bancos se relacionam com seus clientes nunca mudou. Quando não precisamos de dinheiro, os gerentes dos bancos tornam-se sorridentes e ansiosos tentando, de variadas formas, emprestar.

Taxas “menores”, garantias reduzidas, facilidades absolutas, enfim, o tempo inteiro as empresas são seduzidas com propostas frequentemente questionáveis de empréstimos em condições “irrecusáveis”.

Agora, mude o cenário!

Reduza a liquidez da empresa. Precise apenas de um pouco de dinheiro. O mesmo simpático, sorridente e ansioso gerente transfigura-se, transforma-se em uma “pedra de gelo” para uns, ou em um “monstro mitológico”, que devora pessoas e ovelhinhas indefesas, nessa ordem, para outros.

Assim, é muito importante manter sempre o nível de endividamento bancário das empresas dentro de limites razoáveis, de forma que, em caso de redução da liquidez, não sejamos forçados a pagar exorbitantes taxas de juros.

Manter um capital de giro de pelo menos quatro vezes o valor da folha de pagamento é medida bem salutar. Abaixo disso, o risco da empresa ter de tomar dinheiro a custo alto em uma crise é muito grande.

Pense bastante antes de imobilizar seu capital de giro. Em uma recessão, seus bens perdem valor rapidamente!

2. GESTÃO DE PESSOAL E PASSIVO TRABALHISTA

Pagar salários em dia e todos os encargos trabalhistas é uma das missões mais difíceis em uma crise. Fora dela, todavia, as empresas normalmente “tiram de letra”.

A grande armadilha que ocorre em um cenário adverso é que a “generosidade” dos tempos “gordos” não pode ser revertida em época de escassez.

Se for aumentado, de forma definitiva o salário de um empregado, legalmente, não será possível reduzir mais, sendo a demissão a única forma de reduzir custos com folha de pagamento, o que trará custos com rescisões e, em alguns casos, demandas trabalhistas. Isso sem contar o clima de instabilidade que se instalará na equipe.

Além disso, muitos gestores têm o péssimo hábito de inflar demasiadamente suas equipes, contratando, muitas vezes, sem a menor necessidade. É muito importante lembrar que nem todo crescimento da atividade da empresa deve ser sucedido de um aumento da equipe, já que quase toda organização acaba tendo uma certa capacidade ociosa.

3. DÍVIDAS TRIBUTÁRIAS

O pagamento de tributos sempre acaba sendo um inconveniente para qualquer administrador. Seja por motivos financeiros (saída elevada de recursos), seja por questões morais, já que pouco se vê da aplicação dessa arrecadação em favor da sociedade brasileira, que padece sem serviços públicos essenciais de qualidade.

Fato é que, em uma crise, a primeira coisa que as micros, pequenas e médias empresas param de pagar são os tributos. Como o Estado demora a cobrar, gestores em crise, normalmente, escolhem esse desembolso como primeiro  sacrifício de uma lista que pode se tornar longa, com o agravamento dos negócios.

Ocorre que as multas e encargos tributários são muito pesados, fazendo os valores principais mais do que dobrar, em caso de inadimplência. Deixar de pagar impostos tira das empresas, também, acesso a licitações com órgãos públicos, além de impedir a tomada de empréstimos em bancos oficiais, que frequentemente oferecem as mais interessantes modalidades de crédito e as taxas de juros menos salgadas.

Antes de tomar a decisão de suspender o pagamento de tributos os empresários devem pensar em cortar o principal e mais agressivo desembolso de uma organização: o custo da desordem! Mas disso falaremos em outra oportunidade.

4. GESTÃO EMPRESARIAL

De forma mais ampla, separar o que é fruto da crise das falhas de gestão é muito, muito importante. Como dissemos inicialmente, as empresas não deixam de existir somente porque o país está passando por dificuldades econômicas.

Não são poucos os erros cometidos pelos administradores. Quanto mais rápido se reconhecer isso, melhor para a organização e maiores as chances de a empresa ser “curada”. Assumir a existência de doenças estruturais é o mais importante passo para reverter qualquer processo de insolvência.

Mas isso requer humildade, muita humildade!

Erros não surgem do nada. São frutos de más decisões, que são filhas de seres humanos falíveis, principalmente no controle de seu ego. Assumir os erros e colocar-se pronto para corrigi-los, antes que seja tarde, nem sempre é uma prática fácil, pois atinge diretamente o ego das pessoas.

UMA ÓTIMA NOTÍCIA

A ótima notícia é que o combate à crise que assola nossa economia tem como  principais aliados as micro, pequenas e médias empresas do Brasil, que geram uma enorme parte de toda a riqueza produzida no País, bem como enorme número de empregos, diretos e indiretos.

O poder de construção e reconstrução de nossos empreendedores é muito maior do que qualquer crise. A garra, a criatividade e a organização podem superar qualquer tormenta na economia.

Para isso, basta que se olhem as nossas organizações de forma mais profissional do que sentimental e que sejam tomadas decisões rápidas e objetivas, no sentido de preparar os “navios” para o momento de “tormenta”.

Em momentos como o que estamos passando, oportunidades se apresentam aos líderes e gestores. Uns, realmente naufragarão. Mas aqueles que tiverem seus pulsos fortes e atenção, passarão pela “ressaca do mar” e sairão não somente vivos, mas, principalmente, mais fortes do que entraram. Velejando firmes por águas promissoras.


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