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Em uma época de grandes transformações na política, na economia, nos hábitos, tecnologia e relacionamento entre as pessoas, as organizações precisam se adaptar às mudanças e talvez o principal limitador seja o medo.

Empreender, hoje, na advocacia, em um mercado tão globalizado, mutável e conectado, requer que os gestores tenham uma visão ampliada para entender a necessidade de mudança, bem como os processos necessários para que o novo impacte positivamente no negócio. Diante dessa realidade, como gerenciar um escritório de advocacia frente às mudanças que esse segmento exige?


Livre-se do medo de mudar

O mercado demanda uma postura mais profissional do gestor e do escritório de advocacia, porém existem diversos fatores que limitam e impedem certas mudanças. Em uma época de grandes transformações na política, na economia, nos hábitos, tecnologia e relacionamento entre as pessoas, as organizações precisam se adaptar às mudanças e talvez o principal limitador seja o medo.

Esse medo que causa pânico, que paralisa, que faz com que o advogado não saia do lugar, não mude seu status quo e não se atualize com este novo mercado, oferece o grande risco de aplicar ferramentas cada vez mais obsoletas na gestão do escritório.

Para isso, é necessário compreender mais a sua cultura, entender as mudanças que se processam no macroambiente e efetuar as necessárias adequações na cultura e na estratégia do negócio que demanda de grande atenção da alta administração, ou melhor, dos sócios do escritório.

Livrar-se do medo de mudar e dos velhos hábitos não é uma coisa tão simples de fazer, como por exemplo: não saber de fato como liderar, ter miopia em marketing, pensar que o sucesso profissional do presente ou futuro pode se basear plenamente no êxito e conquistas adquiridas no passado. Atitudes como essas afastam os escritórios cada vez mais da realidade atual e dos resultados esperados.

Portanto, entender uma organização, como a sua cultura evolui e trabalhar melhor a gestão de mudanças são fatores importantes para que haja de fato uma transformação saudável e sustentável em um ambiente que precisa estar alinhado com o que o mercado exige. Não há outra maneira para se conseguir bons resultados e prosperidade, o poder da transformação está intimamente ligado a uma gestão de mudanças efetiva.


O que é gestão de mudança na advocacia?

A gestão de mudança na advocacia visa de forma planejada aumentar a adaptabilidade e a flexibilidade da banca diante de um macroambiente cada vez mais dinâmico e transformador. A flexibilidade às mudanças é pressuposto básico para a sobrevivência e o sucesso do negócio. E para que essa mudança possa ocorrer de forma saudável e sustentável, ela precisa estar alinhada à cultura organizacional do escritório de advocacia.

A gestão de mudança também precisa estar alinhada com as pessoas, a inovação e criatividade, bem como ao constante desenvolvimento da organização e seus colaboradores, para que se possa manter uma atitude coletiva energizada, entusiasmada e assertiva nos quadros de pessoas.

Esse processo impacta na transformação das bancas para que as mesmas possam internalizar todas as transformações ocorridas de fato no macroambiente. Para isso é necessário planejamento e o engajamento das pessoas, ou seja, tem por objeto um processo estruturado, em que se empregam ferramentas e atividades para guiar aspectos humanos da mudança, a fim de atingir os objetivos de negócios mais rapidamente, com alto nível de performance e engajamento, dentro de um orçamento previsto.


Gestão de mudança na prática!

De acordo com a pesquisa Demografia das Empresas 2014 divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de cada dez empresas que abrem no Brasil, seis não sobrevivem após cinco anos de atividade. Em 2017 a mesma pesquisa constatou que cinco anos após serem criadas, pouco mais de 60% das empresas já fecharam as portas. E esse cenário se acentuou ainda mais durante e após a crise financeira do país.

Falta de planejamento e organização ainda é um dos fatores protuberantes. Na advocacia esse fato pode ser pior ainda. Apesar de não termos dados financeiros e nem o montante de falências de escritórios de advocacia, por sua própria história e pelo fato do advogado não ser preparado para administrar o seu negócio, levando-o a negligenciar aspectos como o planejamento e a organização, além do medo do investimento, os números podem ser ainda piores.

O mercado hoje pede que ajustemos a cultura de nossas bancas aos novos tempos, não falamos aqui de uma nova advocacia e sim de uma nova forma de entregar os serviços jurídicos, sob pena de não resistirem a essas constantes mudanças e a esse turbilhão de informações que surgem todos os dias.

Dessa forma, para colocar em prática a gestão de mudança é necessário e urgente:

  • Entender e absorver as novas tecnologias na área jurídica para que se possa otimizar os trabalhos e consequentemente alcançar melhores resultados através da produtividade que satisfaça do cliente, pelas facilidades alcançadas. Por isso, entender qual o software melhor se adéqua a sua estrutura e suas necessidades, estruturação da área e TI e acompanhamento das mudanças tecnologias através de simpósios, palestras e eventos em geral que explorem este assunto.
  • Melhorar os processos operacionais da banca, para que haja uma maior agilidade nas atividades, diminuição dos custos e a melhoria na qualidade dos serviços entregues, através de uma boa gestão financeira, uma boa controladoria jurídica, além de rotinas adequadas.
  • Reestruturar as bancas através da comunicação interna, da melhoria no quadro funcional e no desenvolvimento das pessoas.
  • Implementar a profissionalização no dia a dia do escritório. A saturação do mercado e consequente perda de clientes e a rentabilidade começa quando eu entrego o mesmo serviço e da mesma forma que os meus concorrentes entregam.
  • Ampliar o mindset, a busca incessante da melhoria e qualidade dos serviços prestados, o desenvolvimento e a participação de toda equipe fará a diferença para que uma banca possa se consolidar cada vez mais no mercado.

Devemos estar atentos, olhar para as oportunidades, enxergar com menos pânico estas transformações e com mais oportunidades, para isso preciso conhecer mais, buscar mais assuntos que não se referem somente às técnicas do direito. Sairá na frente o advogado disposto a abrir a mente e discutir também sobre negócios.


Principais ferramentas para implementar a gestão de mudanças:

  • Objetivos claros e definidos, estabelecidos a médio e longo prazo, valores e princípios;
  • Abertura para novas ideias – A banca é flexível, dinâmica, está atenta às mudanças, tem senso de oportunidade, estabelece objetivos arrojados, é líder de tendências e cria um ambiente motivador.
  • Integração e comunicação - Permite a comunicação interna entre os diversos níveis e áreas de forma simples e aberta. Ter uma visão sistêmica entendendo que a banca é composta por partes que se interligam direta e indiretamente, sejam elas operacionais, táticas ou estratégicas.
  • Desempenho profissional - O trabalho é estimulante para os colaboradores e oferece desafios profissionais, possibilidade de crescimento e valorização pessoal.
  • Aprendizado e desenvolvimento - A banca estimula e proporciona oportunidade de desenvolvimento profissional para os funcionários (multidisciplinariedade).

Podemos também acompanhar a gestão de mudanças por algumas ferramentas, para saber se de fato estão sendo efetuadas ou não. A indicação que deixo hoje para você é a utilização do Balanced Scorecard (BSB), que por meio de indicadores e metas que traduz a estratégia, avalia se a banca está indo ou não para a direção correta e se de fato estão gerando resultados positivos.

O consultor Jorge Bassalo aborda em seu livro ‘Metodologia para gestão de mudanças organizacionais’ que, para a mudança ser efetiva, é necessária a participação de três elementos: racional, emocional e transformacional:

O racional é formado pelos profissionais da área técnica.

O emocional compreende o time de gestão de mudanças, com foco no aspecto humano da mudança. Representa as ações tomadas pela organização para apoiar a transição dos colaboradores do estado A para o estado B.

O elemento transformacional representa a liderança.

Os gestores devem compreender que a mudança é necessária para a sobrevivência do escritório. São os líderes que participam da formulação da estratégia e definem as alterações necessárias. Eles também legitimam a mudança e dão suporte para as decisões fundamentais.

Entendemos através da metodologia de gestão de mudanças que as pessoas são as peças chaves para que haja de fato uma mudança saudável e sustentável para o negócio, são elas que abraçam ou não um projeto e que executam ou não uma ação.


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Como citar este texto (NBR 6023:2002 ABNT)

FONTENELE, Ísis. Como colocar em prática a gestão de mudança na advocacia?. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 23, n. 5542, 3 set. 2018. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/68709>. Acesso em: 23 maio 2019.

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