10. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A revisão demonstrou que a oposição entre esquerda e direita continua útil para compreender conflitos distributivos e culturais, mas não descreve integralmente a diversidade das identidades políticas brasileiras. Pesquisas de opinião e estudos experimentais indicam que polarização ideológica, polarização afetiva e confiança institucional constituem fenômenos distintos, com distribuições e trajetórias próprias.
O diálogo democrático pode beneficiar-se da negociação baseada em interesses, da mediação transformativa, da escuta ativa e da correção de percepções equivocadas. Entretanto, as evidências disponíveis não permitem presumir que o simples abrandamento de sentimentos hostis resulte em maior compromisso com normas democráticas. A avaliação de intervenções exige distinguir resultados relacionais, institucionais e comportamentais.
O estudo do assédio eleitoral acrescenta uma dimensão estrutural ao problema: em relações de trabalho, a polarização pode coexistir com dependência econômica e assimetrias de autoridade, abrindo espaço para constrangimentos indevidos da liberdade de convicção e de voto. O marco normativo brasileiro, especialmente a Constituição, a Convenção nº 111 da OIT, a legislação trabalhista e eleitoral e as atualizações do TSE e do CSJT em 2026, oferece parâmetros para prevenção e responsabilização, sempre mediante análise individualizada das condutas.
Os dados do MPT, utilizados com recorte temporal explícito, documentam denúncias recebidas e não fatos comprovados; por isso não devem ser empregados para inferir autoria, causas ou prevalência sem pesquisa adicional. Os estudos universitários selecionados, por sua vez, mostram a pertinência de investigar mecanismos contemporâneos de mando político em contextos empresariais, respeitados os limites dos recortes analisados.
Conclui-se que preservar a convivência democrática no Brasil não exige extinguir divergências políticas, mas impedir que elas sejam convertidas em exclusão, coerção ou restrição de direitos. A contribuição da resolução de conflitos reside em qualificar interações voluntárias e reconhecer dissensos legítimos; a função do Direito é assegurar que a liberdade política e os direitos fundamentais permaneçam protegidos, inclusive quando o conflito se manifesta em relações assimétricas de poder.
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Abstract: This article examines left–right political polarization in contemporary Brazil by connecting ideological disagreement, social identities, affective antagonism, conflict resolution and electoral harassment in employment relationships. It employs a bibliographic and documentary method, combining empirical studies, opinion surveys, research from Brazilian universities, and constitutional, electoral and labor norms in force through October 2026. Findings indicate that polarization is multidimensional and unevenly distributed across the population. Transformative mediation, interest-based negotiation and intergroup-contact research provide approaches to improve dialogue, although reduced affective hostility does not necessarily imply stronger democratic attitudes. Electoral harassment also shows how political conflict can be combined with workplace power asymmetries and economic dependence to restrict freedom of political opinion and voting. The paper proposes an analytical framework for prevention, dialogue facilitation and legal accountability, distinguishing legitimate disagreement from unlawful coercion. Charts present only published, attributable data without extrapolation.
Keywords: Political polarization; Left and right; Mediation; Conflict resolution; Electoral harassment; Democracy; Fundamental rights.