Quem nunca foi viajar e passou pelo dissabor de ser autuado por excesso de velocidade em radar fixo? Poucos sabem que tais equipamentos estão em funcionamento completamente eivados de ilegalidades.

Quem nunca foi viajar e passou pelo dissabor de ser autuado por excesso de velocidade em radar fixo que atire a primeira pedra. Não são poucos os casos de multa gerada pelos aparelhos eletrônicos aferidores de velocidade nas vias públicas, também conhecidos como pardais ou lombadas eletrônicas, cuja correta denominação é Instrumento de Medição de Velocidade de Operação Autônoma.

Não se pode olvidar que tais aparatos eletrônicos tenham conseguido diminuir a quantidade de acidentes em algumas vias. Entretanto, poucos sabem que tais equipamentos, por mais que tragam um certo benefício social, estão em funcionamento completamente eivados de ilegalidades e inconstitucionalidades, desviando o que seria o foco principal da utilização de tais aparelhos, qual seja a prevenção de acidentes, para o locupletamento ilícito da Administração Pública e das empresas privadas em tratativa com os agentes públicos.

Isto porque a competência para a lavratura do auto de infração de trânsito é exclusiva de servidor público, seja ele celetista ou estatutário, ou ainda, de policial militar, conforme bem preconizado no artigo 280, § 4º, do CTB, que prescreve:

 § 4º - O agente da autoridade de trânsito competente para lavrar o auto de infração poderá ser servidor civil, estatutário ou celetista ou, ainda, policial militar designado pela autoridade de trânsito com jurisdição sobre a via no âmbito de sua competência.

Logo, pode-se concluir, através de uma simples interpretação literal do aludido dispositivo legal, que um equipamento eletrônico não possui personalidade e, portanto, não se mostra apto à lavratura de autos de infração, eis que jamais poderá ser considerado um agente público, posto que se o mesmo ocorresse, estaríamos cometendo o despautério de atribuir-se caráter humano às máquinas.

Com efeito, é cediço que todo ato administrativo deve possuir como um dos seus pressupostos de validade o sujeito, o qual pode ser definido como “quem ou aquele que pratica o ato, seja pessoa física (agente público) ou o órgão que representa o Estado” (OLIVEIRA, Régis Fernandes de. Ato Administrativo. 4.Ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001. p. 60) e não uma máquina.

Ainda, o equipamento eletrônico, sem o referendo de um agente público, conforme disposto no art.12, §1º, V, da Resolução nº 141/2002 do CONTRAN, não possui a menor validade, já que esta condição se constitui num dos itens essenciais que devem constar do auto de infração obtido por meio eletrônico:

Art. 12. (...)

§ 1º - o comprovante da infração deverá permitir a identificação do local, da marca e da placa do veículo e conter: (...)

V – a identificação do agente de trânsito, quando se tratar de aparelho, de equipamento ou de qualquer outro meio tecnológico do tipo estático, portátil ou móvel. (grifo nosso)

Por conseguinte, pode-se afirmar que falta previsão legal para a utilização dos radares na expedição de atos administrativos sancionadores extravasa a inconteste ilegalidade e arbitrariedade da Administração Pública ao tomar certas atitudes.

Por fim, não se trata o presente texto de uma demonstração de “brecha na lei”, jargão comumente utilizado, mas sim de pura informação, ao povo, do Direito que lhes cabe, e que muitas vezes “passa batido” por simples ausência de conhecimento. Portanto, diante de multa oriunda de radares fixos, não fique de braços cruzados. Contate seu advogado de confiança. Trata-se de verdadeira medida de Justiça e de Direito, que se impõe.


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Comentários

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    Roberto Carvalho

    A resolução citada no artigo (Resolução nº 141/2002 do CONTRAN) encontra-se revogada pela resolução N° 396/2011 do CONTRAN.

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    Mecanus

    Processo: REsp 772347 DF 2005/0130313-6
    Relator(a): Ministro LUIZ FUX
    Julgamento: 28/03/2006
    Órgão Julgador: T1 - PRIMEIRA TURMA
    Publicação: DJ 17/04/2006 p. 181LEXSTJ vol. 201 p. 198RT vol. 850 p. 230

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