CONSIDERAÇÕES FINAIS           

Em um passado não muito distante, era comum às famílias reunirem-se na frente das casas para um papo de descontração com os amigos e//ou vizinhos aproveitando as copas de árvores para acolhê-los com suas generosas sombras.

Entretanto, os tempos mudaram, e com ele a cultura dos povos e a maneira de viver, muitas vezes até em virtude da violência presentes nas pequenas ou grandes metrópoles. Assim, na sociedade contemporânea, as pessoas vivem estagnadas pela vida agitada deixando de observar pequenas e valiosas ações que influenciam direto em sua qualidade de vida.

Atrelada as essas mudanças, nota-se que o meio ambiente já não é mais o mesmo. As condições climáticas e as devastações da natureza interferem diretamente nas condições da vida do homem. Desse modo, a arborização urbana constitui uma necessidade das cidades, não apenas pelas questões estéticas, atrelado a esse benefício, é preciso pensar no bem-estar e na qualidade do ar oferecido para a vida humana, consequentemente refletindo na qualidade de vida.

A arborização das praças, parques públicos e ruas é algo imprescindível e de extrema importância para a sobrevivência de vários animais e outras espécies de vegetais que usam a cidade como ambiente natural ou como rota durante a migração. Estudos revelam que várias cidades brasileiras possuem espécies que mantém as ruas floridas praticamente o ano todo. Os polinizadores e aqueles que visitam as plantas para obtenção de alimentos, também podem ser vistos praticamente durante o ano inteiro.

Pelo que foi exposto nesta pesquisa, foi possível constatar que os projetos de arborização devem ser planejados para cada cidade, atendendo as suas especificidades, assim a probabilidade de atender de forma satisfatória as ações contidas em um projeto de arborização urbana, torna-se eficiente. Neste aspecto, que se faz imperativo o conhecimento das espécies vegetais empregadas na arborização pública das cidades.

Logo, um planejamento urbano sério e responsável deve se preocupar com a qualidade de vida da população, considerando preservar os espaços públicos arborizados, bem como, a sua distribuição na malha urbana das cidades deve atender as perspectivas ambientais e nas cidades, conforme preconiza a Sociedade Brasileira de Arborização Urbana as árvores nativas têm prioridades, pois estas aproximam as pessoas de sua realidade local. Sem contar que as espécies nativas o seu aspecto e mais saudável e, suscetíveis a menos ataques de parasitas e pragas.

Destarte, pode-se dizer que os espaços arbóreos urbanísticos, sobretudo em praças, constituem ambientes em que a grande parte da população, especialmente a população menos favorecida, realiza diversas atividades destinadas ao lazer, encontro, descanso, diversão e inclusive comércio.

Entende-se que essa estratégia não é a única, nem tampouco a solução para minimizar os problemas ambientais existentes que, especialmente no Brasil são muitos complexos e até mesmo no mundo. No entanto, se cada um organizar-se e planejar pequenas ações dentro de sua comunidade, a diferença será feita.

É justamente neste ponto que, percebe-se, cada vez mais, as escolas abordando questões ambientais em sua matriz curricular, fomentando essas concepções e mudanças de paradigmas na escola, formando pequenos cidadãos para que depois, eles multipliquem esse conhecimento e a importância da preservação ambiental na sua casa e, posteriormente na sua comunidade local.

No entanto, não basta ter um discurso pronto e adequado voltado para as “questões ambientais”. Se faz necessário organizar ações e políticas públicas que assegurem de fato o direito e o dever do estado e do cidadão, implementar, fomentar e cuidar da arborização urbana, como condição primeira a assegurar uma vida mais saudável e qualidade de vida às futuras gerações.


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Nota

[1] Sistema Radicular: São compostos pelas raízes, elementos especializados em fixação, absorção, reserva e condução. Esse sistema é imprescindível à obtenção de água e nutrientes do solo, compõem de reguladores de crescimento, e para o armazenamento de carboidratos.


Autor

  • José Carlos Sabadini Junior

    Advogado, Bacharel em Direito - Faculdades Associadas de Ariquemes/RO (FAAR), Bacharel em Turismo (Centro Universitário de Jales/SP), Mestrando em Direção e Gestão dos Sistemas de Seguridade Social, pela Organização Iberoamericana de Seguridade Social (OISS) e Universidade de Alcalá - Madrid (Espanha). Pós-Graduado em Gestão Ambiental - Faculdades Integradas de Ariquemes/RO (FIAR) e Especialista em Direito Constitucional e Direito e Processo Previdenciário (Faculdade Damásio Ariquemes/RO). Membro Associado do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP). Participações no XXVII Simpósio Brasileiro de Direito Previdenciário (2017) - Teresina/PI, IX Congresso Brasileiro de Direito Previdenciário/Belo Horizonte/BH, X Congresso Brasileiro de Direito Previdenciário e IV Congresso de Direito Previdenciário do Mercosul/Florianópolis/SC. Participação do III Congresso Jurídico Online - Direito do Trabalho e Previdenciário - CERS

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SABADINI JR., José Carlos Sabadini Junior. Arborização urbana e a sua importância à qualidade de vida. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 22, n. 5069, 18 maio 2017. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/57680. Acesso em: 19 jan. 2021.

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