A Política criminal do país não pode ser definida com base em pesquisas encomendadas por razões partidárias, ideológicas ou demagógicas.

O Natal nem esfriou e a imprensa volta a carga com um tema desagradável: a redução da maioridade penal. Para apoiar a medida, os jornalões e revistinhas estão a divulgar uma nova pesquisa segundo a qual a esmagadora maioria da população deseja que os jovens deliquentes sejam encarcerados. 

Segundo a referida pesquisa, divulgada com simpatia pelos jornalistas, nove em cada dez brasileiros são favoráveis à redução da maioridade penal. A bem da verdade, 10 em cada 10 líderes do PCC, CV e de outras quadrilhas de presidiários também apoiam a medida. Afinal, "carne nova" nos presídios representará recrutas indefesos em potencial para prisioneiros endurecidos a anos pela vida carcerária.

Esta pesquisa divulgada e apoiada pela mídia é estúpida. Tenho certeza de que 10 entre 10 brasileiros não gostariam que seus filhos, primos, netos, sobrinhos e afilhados adolescentes fossem para a prisão conviver com presidiários extremamente violentos e perigosos.

O problema deste tipo de pesquisa é a enfase. Se a enfase for na violência cotidiana retratada pelos telejornais (matéria prima para a propaganda eleitoral da extrema direita que apóia sempre mais repressão e menos despesas com as questões sociais), a resposta será uma. Se a enfase recair sobre a relação entre o entrevistado e o menor que será física, moral e psicologicamente destroçado numa cadeia, a resposta certamente será outra. 

Os veículos de comunicação deveriam ter a obrigação de mostrar a estupidez destas pesquisas e de encomendar outras que reflitam diferentes respostas em razão de diferentes abordagens, mas não estou vendo nenhum veículo de comunicação fazer isto. A verdade é que a imprensa brasileira parece estar absolutamente comprometida com outra missão: fornecer palanque e pauta política para a extrema direita. 

O que será preciso para os jornalistas perceberem o erro que estão fazendo? A redução da maioridade penal ser aprovada e o filhinho "aborrecente" de um respeitável Editor ou dono de jornalão ir para a cadeia porque atropelou alguém bêbado dirigindo sem carteira de motorista? 

Francamente, muitos destes telejornalistas e jornalistas a serviço da barbárie são as pessoas inteligentes mais idiotas que existem. Há algumas décadas seus antecessores apoiaram um golpe de estado, mas quando a ditadura começou a torturar e matar jornalistas eles perceberam a tragédia anunciada que deveriam ter evitado e que inadvertidamente provocaram. Farão o mesmo novamente, só que desta feita colocando em risco o bem estar dos seus próprios filhos, sobrinhos, netos, afilhados, etc... Cabe aos profissionais do Direito mostrar o erro colossal que esses jornalistas estão induzindo a população brasileira a cometer.



Informações sobre o texto

Como citar este texto (NBR 6023:2002 ABNT)

RIBEIRO, Fábio de Oliveira. Sobre a redução da maioridade penal. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 18, n. 3834, 30 dez. 2013. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/26272>. Acesso em: 24 jun. 2018.

Comentários

15

  • 0

    Sergioluislopes Luislopes

    Sou a favor de redução da maioridade penal, a impunidade esta muito grande no Brasil muitos não concordam acham que esses infratores são uns coitadinhos mas não pensão em quantas famílias foram destruídas por esses coitadinhos, que são capazes de empunhar uma arma, matar , estrupa etc mas são tão bebes para responder por esses crimes muitos deles hediondos . Vi uma matéria dessa em um canal de TV em que um psicologo falou que seria injusto colocar esses coitadinhos em uma cadeia junto com outros bandidos, j´s que muitos devem pensar assim está fácil de resolver é só pegar um deles e adotar e levar pra dentro de casa.

  • 0

    Maria Regina Emiliano Gomes

    Sou a favor da redução da maioridade penal, SIM. Levando-se em consideração que o adolescente infrator, estando em liberdade, com certeza reincidirá em outras infrações, podendo inclusive cometer atos infracionais análogos a crimes hediondos, como por exemplo latrocínio, homicídio... Imagine um parente seu, sendo assassinado por um adolescente infrator, que, por força de uma lei retrógrada, mesmo assim continuará em liberdade. O que temos discutido é a implantação urgente da redução da maioridade penal, com investimento maciço por parte dos governos e dos responsáveis legais em educação e, trabalho, muito trabalho, para todos os adolescentes em situação infracional. Quem sabe assim poderemos melhor orientar esta nova geração...

Veja todos os comentários

Livraria