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Artigo

A interdisciplinariedade na educação ambiental

Apresentaremos os desafios enfrentados pelos professores para inserir a educação ambiental num contexto interdisciplinar Tem-se como objetivo demonstrar a importância dessa matéria em todas as etapas da vida, inclusive nas séries iniciais.

                                   

RESUMO

As escolas contemporâneas têm como objetivo integrar a educação ambiental enquanto formação da cidadania. Apresentaremos os desafios enfrentados pelos professores para inserir a educação ambiental num contexto interdisciplinar, devido à falta dessa matéria na formação inicial e continuada dos mesmos. Tem-se como objetivo demonstrar a importância da educação ambiental em todas as etapas da vida, inclusive nas séries iniciais, e mostrar como se deu a preocupação da sociedade em formar com consciência ambiental. Percebe-se que a interdisciplinaridade da educação ambiental está sendo colocado em prática aos poucos nas escolas. A partir disso, abordaremos algumas questões relevantes sobre o tema.

Palavras-chave: Escolas Contemporâneas, Educação Ambiental, Sociedade, Interdisciplinaridade.

ABSTRACT

Contemporary schools aim to integrate environmental education as citizenship training. We present the challenges faced by teachers to insert environmental education in an interdisciplinary context, due to the lack of this matter in initial and continuing training to them. Has intended to demonstrate the importance of environmental education at all stages of life, including in the early grades, and show how was the concern of society in forming environmentally conscious. It is noticed that the interdisciplinary nature of environmental education is being gradually put into practice in schools. From this we discuss some important issues on the subject.

Keywords: Contemporary Schools, Environmental Education, Society, Interdisciplinary.

SUMÁRIO

1 Introdução................................................................................................................4

2 Sociedade e Meio Ambiente...................................................................................5

2.1 Educação Ambiental............................................................................................5

2.2 A Interdisciplinaridade.........................................................................................7

2.3 Dificuldade de inserção da Educação Ambiental nas Escolas........................7

2.4  Importância da prática Interdisciplinar.............................................................8

3 Conclusão ...............................................................................................................9

Referências ..............................................................................................................10

1 Introdução

Há muito tempo que o homem se preocupa com a forma da convivência entre homem e natureza, devido a maneira como sua devastação vêm aumentando cada vez mais.

Na década de 1970, a poluição e o alerta do esgotamento dos recursos naturais começaram a trazer preocupações á sociedade e aos governantes. Na década de 1980, o termo “educação ambiental” popularizou-se definitivamente pelo mundo. Hoje mais do que uma matéria, a educação ambiental tornou-se uma realidade mais efetiva nas escolas.

O termo, Educação Ambiental, surge em 1972 após a Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, em Estocolmo. Já a interdisciplinaridade, especificamente no Brasil, ganha destaque com a publicação da obra “Interdisciplinaridade e patologia do saber” (JAPIASSÚ, 1976).

Busca-se hoje um mundo mais equilibrado e justo, para isso é necessário o engajamento pessoal e coletivo da sociedade. Os professores como principal alvo da formação das crianças têm por obrigação ajudar no processo de transformação social, que começará dentro das escolas, já nas primeiras séries.

A educação ambiental, por si só, possui um aspecto interdisciplinar, pois contempla diferentes áreas como: saúde, transportes, trânsito, energia, comunicações, direito, educação e economia.

É necessário antes de por em prática a educação ambiental nas escolas, a capacitação dos professores em oficinas pedagógicas, seminários, debates, e etc. Para que os educadores possam encontrar meios de por em prática a educação ambiental em qualquer matéria, seja ela geografia, matemática, física, história, biologia e também orientar a realização de atividades extraclasse que permitam o envolvimento em conjunto entre o corpo docente/discente e também da comunidade do entorno da escola.

2 Sociedade e Meio Ambiente

A relação entre sociedade e meio ambiente, há muitos anos está em desequilíbrio, principalmente após a revolução industrial e o crescimento do capitalismo. O consumismo desenfreado vem ocasionando a maior procura por recursos naturais por parte das indústrias, desta forma, a degradação da natureza, a poluição, o aquecimento global e a perca da biodiversidade só aumenta, acarretando cada vez mais problemas ambientais.

Desta forma, a sociedade vem preocupando-se cada vez mais em instituir meios para desacelerar esse processo degradativo, pois recuperar o que foi perdido parece impossível num mundo em que só busca o lucro e o prazer, sem pensar nas consequências ambientais dos seus atos.

Leff nos deixa claro que os impactos da exploração econômica sobre a natureza são desastrosos quando afirma que “a destruição ecológica e o esgotamento dos recursos não são problemas gerados por processos naturais, mas determinados pelas formas sociais e pelos padrões tecnológicos de apropriação e exploração econômica da natureza.” (2001, p. 49).

A ação dos cidadãos é imprescindível se quisermos construir uma relação harmoniosa entre homem e natureza. Sorrentino (2002, p. 16) ensina-nos que:

O compromisso de cada um dos bilhões de habitantes deste planeta é essencial e insubstituível para a implantação das mudanças radicais que o momento exige. [...] Em uma perspectiva planetária, não basta contemplar o olhar do homem branco ocidental. É necessário incluir as mulheres, os negros, os jovens, os idosos, as crianças, os homossexuais, os países do sul, o interior, a periferia, os artistas, os pacifistas e outras minorias étnicas, ouvindo-os em suas especificidades e aprendendo a expressar seus sonhos, demandas e propostas. É no diálogo da diversidade de olhares que buscamos respostas para o impasse que esse modelo de desenvolvimento nos impôs.

2.1  Educação Ambiental

Em 1977, ocorreu a I Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, onde foram estabelecidos alguns conceitos, que vale ser ressaltado:

a) Um dos principais objetivos da EA consiste em permitir que o ser humano compreenda a natureza complexa do meio ambiente, resultante das interações dos seus aspectos biológicos, físicos, sociais e culturais;

b) São características da EA: o enfoque educativo interdisciplinar e orientado para a resolução de problemas; a integração com a comunidade; ser permanente e orientada para o futuro;

c) Que a EA não seja uma nova disciplina. Há de ser a contribuição de diversas disciplinas e experimentos educativos ao conhecimento e à compreensão do meio ambiente, assim como à resolução dos seus problemas e à sua gestão. Sem o enfoque interdisciplinar não será possível estudar as inter-relações, nem abrir o mundo da educação à comunidade, incitando seus membros à ação;

d) Constitui um modo de transformar e renovar a educação o desenvolvimento de uma EA orientada para a busca de soluções para os problemas concretos, que os analise sob um marco interdisciplinar e que suscite uma participação ativa da comunidade para resolvê-los (DIAS, 2000, p. 210).

Aqui no Brasil, em 1999 foi instituída a Lei n° 9795 que dispõe sobre a educação ambiental e institui a Política Nacional de Educação Ambiental, em seu art. 1 ° trata do conceito de educação ambiental:

Entende-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.

Acreditamos que mudanças de atitudes e comportamentos serão obtidas por meio da educação, sendo a escola um espaço social que têm como objetivo contribuir para que tais mudanças aconteçam. A consciência ambiental é também uma construção social, nesse contexto o papel da educação ambiental torna-se mais do que relevante, torna-se primordial.

(...) a educação ambiental deve ser uma concepção totalizadora de educação e que é possível quando resulta de um projeto político pedagógico orgânico, construído coletivamente na interação escola e comunidade, e articulado com os movimentos populares organizados comprometidos com a preservação da vida em seu sentido mais profundo. (GUIMARÃES, 2000, p. 68)

2.2 A Interdisciplinaridade

Conforme Japiassú (apud FAZENDA, 2002, p. 25), aduz: “a Interdisciplinaridade caracteriza-se pela intensidade das trocas entre os especialistas e pelo grau de integração real das disciplinas no interior de um mesmo projeto de Pesquisa”.

Segundo Carvalho:

 A interdisciplinaridade seria uma maneira de organizar e produzir conhecimento, buscando integrar as diferentes dimensões dos fenômenos estudados. Com isso, pretende superar uma visão especializada e fragmentada do conhecimento em direção à compreensão da complexidade e da interdependência dos fenômenos da natureza e da vida. Por isso é que podemos também nos referir à interdisciplinaridade como postura, como nova atitude diante do ato de conhecer. (1998, p.9)

Desta forma, a ação interdisciplinar em conjunto com as práticas ambientais, desenvolvendo um trabalho didático-pedagógico, irá transmitir e construir conteúdos disciplinares. A interdisciplinaridade não se trata apenas de cruzar matérias parecidas, e sim constituir e construir ensinamentos ricos na diversidade, onde uma matéria se relacionará com a outra na prática.

A Interdisciplinaridade pressupõe basicamente: “(...) uma intersubjetividade, não pretende a construção de uma superciência, mas uma mudança de atitude frente ao problema do conhecimento, uma substituição da concepção fragmentária para a unitária do ser humano.” (FAZENDA, 2002, p. 40).

2.3  Dificuldade de inserção da Educação Ambiental nas Escolas

A inserção da Educação Ambiental nas escolas torna-se difícil pelo desconhecimento deste tema pela grande maioria dos professores das várias disciplinas. As licenciaturas de Ciências e Geografia acabam sendo as únicas a tratarem do conteúdo em seus currículos.

Entretanto, os educadores, como formadores de sujeitos atuantes na sociedade, não podem eximir-se de sua responsabilidade, alegando a falta de conhecimento. Concordamos com Saviani (1996, p. 148-149) na ideia de que “se espera que o educador saiba compreender o movimento da sociedade identificando suas características básicas e as tendências de sua transformação, de modo a detectar as necessidades presentes e futuras a serem atendidas pelo processo educativo sob sua responsabilidade”.

Nesse sentido, a escola, como espaço de sistematização de saberes científicos e culturais, deve se constituir como o local fundamental de reflexão e de construção de práticas que privilegiem a formação de atores sociais que percebam que a questão ambiental é também uma questão de valores, de cidadania, de alteridade.

2.4  Importância da prática Interdisciplinar

Acredita-se que o papel da educação ambiental é a formação de uma consciência das escolhas em relação ao ambiente. Trabalhar a educação ambiental, desde as séries iniciais em conjunto com todas as matérias, desenvolverá novos valores nos alunos e farão com que a relação deles com o ambiente e com eles próprios seja  mais justa e inclusiva.

Essa formação ambiental, entretanto, não deve se prender somente nas séries iniciais e sim em toda a formação educacional e profissional do ser humano, pois a dificuldade que alguns professores encontram em administrar a matéria é devido a falta de conhecimento sobre o tema. Desta forma, deve-se abordar interdisciplinarmente a educação ambiental em qualquer nível educacional, sendo de fundamental importância começar o seu ensinamento desde as séries iniciais, pois são elas as precursoras da formação da consciência e do caráter. Assim, formando crianças com responsabilidade ambiental, estas crescerão entendendo seu papel na sociedade como sujeito ativo de uma coletividade que deve buscar um desenvolvimento sustentável.

3 Conclusão

Diante das questões em ora levantadas, percebe-se que a sociedade está muito mais preocupada com o meio ambiente, pois os problemas ambientais estão cada vez maiores e irreparáveis. O que se pode fazer é buscar frear a degradação ambiental, diminuindo gradativamente os impactos ambientais.

Desde a década de 70 que a educação ambiental surgiu como uma das soluções de conscientização ambiental, sendo efetivado aos poucos e em passos lentos. Percebe-se a dificuldade dos professores em por em prática a interdisciplinaridade da matéria devido à falta de conhecimento em sua formação, pois antigamente não havia uma preocupação tão grande em preservar os recursos naturais, pois acreditava-se que estes eram inesgotáveis. Apresentamos formas de reparar essa falta de conhecimento, pois os educadores possuem a responsabilidade da formação da consciência e do caráter das crianças. A interdisciplinaridade foi à forma que se encontrou de disseminar essa cultura ambiental em meio a todas as matérias, de forma prática e dinâmica buscando desenvolver o senso crítico das crianças.

Deve-se, porém, manter essa cultura ambiental sempre, em todos os níveis educacionais, pois aquele que não teve um contato direto com a educação ambiental, terá a oportunidade de entendê-la melhor em outro momento, para que assim não tenha ninguém que possa alegar o desconhecimento do seu papel perante a sociedade, entendendo que como sujeito ativo deve buscar meios para um desenvolvimento sustentável.

REFERÊNCIAS

CARVALHO, Isabel Cristina de Moura. Em direção ao mundo da vida interdisciplinaridade e educação ambiental / Conceitos para se fazer educação ambiental - Brasília : IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas, 1998

DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. 6. ed.

São Paulo: Gaia, 2000.

FAZENDA, I. C. A. Integração e interdisciplinaridade no ensino brasileiro: efetividade ou ideologias. 5.ed. São Paulo: Edições Loyola, 2002.

GUIMARÃES, M. Educação ambiental: no consenso um embate?. Campinas, São Paulo: Papirus, 2000

JAPIASSÚ, Hilton. Interdisciplinaridade e patologia do saber. São Paulo: Imago, 1976.

LEFF, Enrique. Saber ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder. Petrópolis: Vozes, 2001.

SAVIANI, Demerval. Formação do educador: dever do Estado, tarefa da

Universidade. São Paulo: UNESP, 1996.

SORRENTINO, Marcos. Desenvolvimento sustentável e participação: algumas

reflexões em voz alta. In: LOUREIRO, Frederico Bernardo; LAYRARGUES, Philippe Pomier; CASTRO, Ronaldo Souza de (Org.) Educação ambiental: repensando o espaço da cidadania. São Paulo: Cortez, 2002. p.15-21.

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9795.htm Acesso em : 08/09/14

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Sobre a autora
Sindy Mayanna Mascarenhas de Carvalho

Acadêmico de Direito pela Faculdade de Tecnologia e Ciências de Feira de Santana.

Informações sobre o texto

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