O artigo relembra fato ocorrido no período da ditadura militar no Brasil.

Hennin Albert Boilesen foi um executivo dinamarquês radicado no Brasil. Foi presidente da Ultragaz e fundador do CIEE - Centro de Integração Empresa Escola.

Foi um dos supostos apoiadores da repressão governamental a organizações clandestinas de esquerda durante a ditadura militar brasileira. Acabou assassinado por militantes do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT) e da Ação Libertadora Nacional (ALN) em 15 de abril de 1971, na cidade de São Paulo, em ação planejada como represália a seu envolvimento na repressão.

O empresário foi assassinado (ou justiçado, como dizem os ex-militantes de esquerda) em 1971. Seu carro foi fechado, ele levou um tiro de fuzil, saiu correndo baleado, levou outros cinco tiros pelas costas e caiu com o rosto na sarjeta, ao lado do meio-fio.

Carlos Eugênio da Paz  aproximou-se rapidamente do corpo ensanguentado. Apontou sua arma para o rosto da vítima. Dizem que foram 25 tiros. O enterro seria em caixão fechado.

Chega ao fim a vida de Henning Albert Boilesen, mas sua história secreta só então começa a ser contada.

Panfletos foram jogados no corpo de Boilesen após a execução, espalharam-se pela rua e a seguinte mensagem era revelada:

"Como ele, existem muitos outros e sabemos quem são. Todos terão o mesmo fim, não importa quanto tempo demore; o que importa é que todos eles sentirão o peso da JUSTIÇA REVOLUCIONÁRIA. Olho por olho, dente por dente".

"Boilesen, já ao chão, levou 25 tiros na cabeça".

Um assassinato cruel em que não houve punição. Homicídio qualificado.

Uma triste história de um momento sangrento e infeliz por que passou a Nação.

Não se pode aplaudir o “olho por olho e dente por dente”.

Homem fruto de uma época em que capitalismo e comunismo eram aparentemente os dois únicos caminhos, um símbolo da união da elite brasileira com governos ilegítimos, em que a democracia na prática era um mero detalhe, embora conservasse importância retórica; Boilesen deu a entender que  acreditava que tudo era  válido pela manutenção da ordem vigente e no combate ao perigo comunista. As mãos de Boilesen estavam sujas de sangue no momento em que financiou a Oban, e isso foi o determinante em sua execução, mas ele não foi o único. Ele não era uma anomalia no meio social de sua época. Seus executores já haviam alertado:

“Como ele existem muitos outros e sabemos quem são”.


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