IV - Análise dos Resultados

A realização da pesquisa se deu a partir de questionários e perguntas abertas e fechadas, no intuito de captar uma quantidade maior de informações de grande relevância sobre o assunto. Os questionários foram aplicados também às respectivas diretoras das escolas. A fim de aprofundar o campo deste estudo, foram aplicadas 04 questões para cada diretora e 04 questões para cada professor, com o intuito de apresentar uma opinião técnica sobre o propósito da pesquisa. A pesquisa foi direcionada a um total de 19 professores, sendo 10 da primeira escola e 09 da segunda. Após a aplicação dos questionários, observaram-se as seguintes respostas:

A primeira questão aplicada mostrou que;

84% dos professores entrevistados acreditam que o Programa Bolsa Família contribui bastante para o acesso mais cedo das crianças à escola, porém não contribui para o desempenho uma vez que, apenas a frequência do aluno é exigida pelo programa. Para que os pais continuem recebendo a bolsa, os alunos tem que estar com frequência na escola, mas não é exigido o desempenho.

Já 16% dos entrevistados responderam que não observa esse acesso por causa do Programa Bolsa Família. O aumento de crianças na escola é devido à ampliação das vagas e da estrutura familiar, pois, O programa não melhora o desempenho porque a forma como o benefício é entregue à família é falha, pois não há cobrança de compromisso desta para a aprendizagem do filho.

A segunda questão mostrou que;

Em relação à melhoria do Programa Bolsa Família referente à escola mostrou que 78% dos professores acreditam que, se a contribuição financeira do Bolsa Família fosse atrelada à frequência, desempenho e aproveitamento, haveria uma preocupação maior dos pais em acompanhar o aprendizado dos filhos. Assim, os alunos desenvolveriam mais rápido a aprendizagem na escola.

10% dos professores acreditam que deve haver uma fiscalização maior do uso dos recursos por parte dos pais. 12% acredita que o programa não deveria existir, devido às falhas que contém ou ainda, que o Programa deve ser reformulado. assim, condições devem ser impostas para que ocorra o desempenho escolar da criança; Educação básica de qualidade com acompanhamento pedagógico;

Os pais deveriam dar prioridade à compra de itens destinados à educação e as crianças terem acesso a esses matérias para ajudar na aprendizagem.

A terceira questão mostrou que;

Em relação ao desempenho escolar de Sergipe em comparação com o Brasil, os resultados apontados foram: 63% dos professores responderam que (Sim), Sergipe apresenta resultado insatisfatório se comparado com o Brasil, por falta de uma atenção maior do Governo voltada para a formação continuada do professor, associada à falta de recursos e à estrutura precária da escola entre outros, contribuem para que o Estado não apresente um bom desempenho e isso impacta na aprendizagem do aluno.

Já os 37% responderam (Não) não é insatisfatório, pois há um número maior de escolas funcionando e mais alunos estudando; metas foram alcançadas mesmo precisando avançar mais. Sergipe apresenta resultados melhores do que alguns Estados, mesmo não acompanhando o desempenho do Brasil.

Em relação à quarta questão

Sobre a vigência do programa juntamente com a presença da escola na tentativa de barrar a violência, tem-se que: 84% responderam que (Não) não há qualquer relação entre a escola e o programa Bolsa Família para acabar com a violência. Isso depende do meio familiar em que a criança vive. Quando a criança vive num ambiente onde recebe amor e todos os valores sociais, ela cresce livre desse mundo obscuro. Se há participação da família na vida da criança.

Os16% dos entrevistados acreditam que (Sim) e apontam que: A escola tem seu papel fundamental, mas a família tem o dever de pelo menos tentar mostrar os melhores caminhos para o filho; A escola é uma forma de manter as crianças longe da violência. A presença dos pais também é importante, pois se eles procuram inserir as crianças em projetos sociais, conseguirão manter seus filhos afastados desse submundo.

Na sequência se expõe algumas das respostas obtidas para exemplificar o que responderam a maioria. Para não identificar os/as entrevistadas numerou-se as escolas e as pessoas pesquisadas.

Em relação à primeira questão, a professora 1 da escola 1 respondeu que,

“O Bolsa Família contribui para o acesso mais cedo, porém não contribui para o desempenho uma vez que, apenas a frequência do aluno é exigida pelo programa. Para que os pais continuem recebendo os alunos tem que estar com frequência na escola, mas não é exigido o bom desempenho. Isso representa uma falha”.

A professora 1 da escola 2 respondeu que,

“Em relação ao desempenho, não vejo melhora por que a forma como o Bolsa Família é entregue à família sem cobrança de compromisso desta para a aprendizagem do filho é uma falha muito grave”.

Em relação à segunda questão, a professora 2 da escola 1 respondeu que,

“Se a contribuição financeira do Bolsa Família fosse atrelada à frequência, desempenho e aproveitamento haveria uma preocupação maior dos pais em acompanhar o aprendizado dos filhos. Assim, os alunos desenvolveriam mais rápido a aprendizagem na escola”.

A professora 2 da escola 2 respondeu que,

“É preciso que haja uma mudança no programa, que seja cobrada o rendimento como condição para recebimento financeiro da bolsa. O acompanhamento da frequência já existe, e quando o aluno falta isso é passado e os pais logo são chamados. Assim, acredito que se existisse essa cobrança do rendimento, os pais se preocupariam em acompanhar o filho”.

Em relação à terceira questão, a professora 3 da escola 1 respondeu que,

“Sim. A falta de uma atenção maior do governo voltada para formação continuada do professor, associada à falta de recursos e a estrutura precária da escola entre outros, contribuem para que o estado não apresente um bom desempenho e isso impacta na aprendizagem do aluno”.

A professora 3 da escola 2 respondeu que,

“Avançou bastante. Metas foram alcançadas, mas muita coisa ainda precisa melhorar, tanto para o desempenho do aluno, quanto para o desempenho do estado, por exemplo: formação docente de qualidade; estrutura física da escola; boas condições de trabalho para o professor; bons recursos e equipamentos didáticos”.

Em relação à quarta questão, a professora 4 da escola 1 respondeu que,

“Sim. Ao invés das crianças estarem nas ruas, elas estão na escola como exige o programa. Isso já é um primeiro passo para acabar um pouco com a violência”.

A professora 4 da escola 2 respondeu que,

“De forma alguma. A violência está muito além. O fato de o pai receber uma bolsa e mandar o filho para a escola todos os dias para não perdê-la, não vai evitar essa violência. Até por que, essa questão depende do sistema, é um conjunto. O Bolsa Família só ajuda mesmo na frequência e compra de material escolar”.

Referente às respostas das diretoras, observou-se respostas similares. A primeira questão obteve a seguinte resposta: “o Programa Bolsa Família Contribui dentro dos limites da sua totalidade. O Bolsa Família foi criado para ajudar as crianças na escola através da compra de material escolar. Mas na maioria das vezes o pai não utiliza a bolsa para manutenção dos materiais dos filhos, ele utiliza o dinheiro para compra de alimentação, sendo que esse dinheiro na maioria das vezes é a única fonte para compra de alimentação. Para vir à escola o aluno precisa estar bem alimentado. Assim, ele contribui neste sentido, não no sentido educacional. Para muitos, é a única fonte de renda”.

Quanto à segunda questão, uma das diretoras destacou a contribuição do programa para garantir o acesso mais cedo e a frequência das crianças da escola. “(...) contribui muito, pois muitos pais só matriculam devido ao programa. Inclusive o Conselho Tutelar tem trazido crianças que estavam fora da escola, e aí o aluno fica sob ameaça do pai perder sua inscrição em todos os programas sociais, inclusive o cadastro do NIS. Então, tem alguns país principalmente da educação infantil que acabam trazendo as crianças para estudar devido à possibilidade de perder a bolsa. A questão da aprovação está sendo positiva, pois o aluno vem assistir as aulas, são motivados e conseguem a aprovação”.

Na terceira questão sobre a forma de melhorar o programa, as diretoras responderam da seguinte forma:

• Que seria necessário uma maior atenção dos pais aos seus filhos. Eles precisam estar mais próximos, acompanhar sua evolução educacional. Muitos pais ao colocarem os filhos na escola acabam jogando sobre a escola a responsabilidade de oferecer uma educação integral ao aluno. Integral no sentido educacional, familiar e higiênica. As crianças até recebem essa atenção na escola, mas quando chegam em casa não sabemos a forma que são tratadas.

• A colocação de políticas mais pontuais para aprofundar a aprendizagem principalmente a alfabetização, leitura, escrita e letramento. Eu vejo o Bolsa Família como uma política voltada apenas para incluir. Os alunos vêm à escola porque sabem que são monitorados. A partir do momento em que só se tem isso, não se pode dizer que o aluno está aprendendo, que está tendo um bom rendimento, que está se desenvolvendo. Então ainda é muito pouco.

A quarta questão obteve resposta muito semelhante, por isso selecionamos a seguinte resposta: “Se tem contribuído o percentual é bem pequeno, porque, pelo que podemos perceber a maioria dos jovens infratores já perderam a bolsa há muito tempo. A maior parte da violência aqui do bairro tem ocorrido por jovens infratores na faixa entre 12 e 16 anos. A maioria esses jovens frequenta a escola por imposição do Conselho Tutelar por achar conveniente eles estarem na escola e não nas ruas. Eles até frequentam, mas no meio do ano se evadem da escola”.

Diante dos resultados obtidos nas escolas, compreende-se a importante contribuição do Programa Bolsa Família (PBF) para inserir e manter as crianças na escola e assegurar uma melhor condição de vida às famílias. Ao longo do desenvolvimento da pesquisa, foi percebido a partir das respostas dos professores, que o Programa Bolsa Família tem um importante papel em relação à escolarização das crianças, porém ainda não contribui para o desempenho escolar dos filhos. Os pais acabam mandando os filhos à escola no intuito de ter garantido o recebimento do auxílio. Mas não há grande contribuição do Programa para o rendimento escolar das crianças, o que compromete a melhoria do padrão de vida das famílias numa perspectiva geracional. 



Informações sobre o texto

Como citar este texto (NBR 6023:2018 ABNT)

SANTOS, Maria Ocileide Dias. Educação e desenvolvimento econômico: análise da contribuição do programa Bolsa Família para a educação básica a partir de pesquisa em escolas de São Cristovão – SE. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 23, n. 5559, 20 set. 2018. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/63006. Acesso em: 26 jan. 2022.

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