A internet e o processo eleitoral: o quanto as redes sociais influenciam no processo eleitoral e quais as consequências de tamanha importância.

Este artigo tem por objetivo trazer uma reflexão a respeito da influência que a internet tem exercido no processo eleitoral.

              Não é novidade que a internet possui grande poder de persuasão na vida da sociedade. Vivemos a chamada “era da informática” e as redes sociais têm sido palco das principais notícias e críticas dos mais diversos ramos do nosso dia a dia.

              Ao mesmo tempo, a facilidade de acesso, bem como, o enorme alcance o qual a internet oferece, tem sido atrativo de divulgação das mais diversas categorias.

              Com o processo eleitoral, não é diferente.

              Muitos candidatos têm dedicado parte de seus dias em manter contato direto com milhões de eleitores através da internet.

              Esta tem sido a grande ferramenta em muitas campanhas eleitorais.

              Nem mesmo os outros meios de comunicação têm sido tão eficazes quando o assunto é apresentar propostas e levantar questões relevantes durante a campanha eleitoral, como era antigamente.

              O ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, ao analisar os reflexos da internet nas eleições, assim se manifestou em seu artigo “O uso das redes sociais nas eleições e nos processos eleitorais: o sistema brasileiro”:

 

As informações difundidas pela internet já atingem parcela significativa da população e conferem uma nova dinâmica às democracias contemporâneas, privilegiando a liberdade de informação com difusão mais horizontalizada, rápida, econômica e democrática. E, como todo fenômeno social, as relações e as consequências decorrentes dessa nova realidade devem ser disciplinadas de forma harmoniosa com os princípios e os valores tutelados pela ordem constitucional de cada país. (TOFFOLI,2016).

 

 

As eleições presidenciais de 2018, vencidas pelo candidato Jair Bolsonaro representaram essa influência.

O candidato, que atingiu grande número de seguidores durante a campanha presidencial, se negou a comparecer a muitos debates transmitidos em rede nacional, o que até então nunca havia ocorrido, já que a televisão sempre representou o principal veículo de propaganda eleitoral e de divulgação.

Em que pese a possível popularidade que a internet pode proporcionar, as mídias também exercem papel crítico durante a campanha e, principalmente, durante o mandato, o que não é de todo ruim, já que através da internet, o eleitor pode se atentar ao candidato e conhecer melhor suas propostas, até mesmo fiscalizar e analisar as decisões tomadas por um candidato já eleito.

Em suma, a internet tem representado para o processo eleitoral uma grande oportunidade tanto para candidato, quanto para eleitores, e neste último caso, até mesmo após as eleições, como ferramenta de fiscalização.

Toda essa importância, contudo, deve nos trazer alguns questionamentos.

O primeiro deles é a representatividade. Quanto do eleitorado brasileiro possui acesso às mídias sociais? 

De acordo com a Pesquisa Brasileira de Mídia, divulgada por Rafael Schmuziger Goldzweig, em seu artigo: Campanhas têm usado as mídias sociais como ferramenta estratégica para chamar a atenção dos eleitores”, 34% dos brasileiros ainda não possuem acesso à internet.

Dos que acessam a rede, uma grande maioria são homens, e, em grande parte, de grandes centros urbanos do país, principalmente da região sudeste.

Outro ponto que preocupa são as Fake News, como um fenômeno que representa a desinformação, prejudicial em muitos aspectos, ainda mais no processo eleitoral.

Segundo Haloá Lucas Silva Reuben, (2018), em seu artigo “O papel da internet nas eleições de 2018”, assim ponderou:

 

Primeiramente, pode-se identificar que fake news são em geral apresentadas sob um formato jornalístico – isto é, tomam forma de uma notícia jornalística. Como tal, buscam emular credibilidade. Mas não há, no entanto, exclusividade de formato. Uma publicação no twitter, um texto encaminhado pelo whatsapp, mesmo um post no facebook, podem conter conteúdo que, fugindo do formato jornalístico, emulam credibilidade e buscam desinformar.

 

 

Importa a reflexão acerca do tema. Inevitável a percepção da influência da internet sobre o processo eleitoral, com ênfase para as redes sociais. Mas, ainda que crescente, esta não deve ser a única ferramenta do eleitorado, é preciso muito mais. É preciso olhar crítico e, principalmente, responsável na divulgação de notícias eleitorais ou promoção de campanhas na internet.

 

Referências Bibliográficas

CASTRO, Edson de Resende. Curso de Direito Eleitoral. 9. ed. rev. e atual. Belo Horizonte: Del Rey, 2018.

 

GOLDZWEIG, Rafael Schmuziger. “Por que devemos nos preocupar com a influência das redes sociais nas eleições 2018?”, 2018. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/21/opinion/1537557693_143615.html. Acesso em: 03/09/2020.

 

Machado, Raquel Cavalcanti Ramos. Direito eleitoral. – 2. ed. rev., atual. e ampl. – São Paulo: Atlas, 2018.

 

REUBEN, Haloá Lucas Silva. “O papel da internet nas eleições de 2018”, 2018. Disponível em: https://baptistaluz.com.br/institucional/o-papel-da-internet-nas-eleicoes-de-2018/. Acesso em: 09/09/2020.

 

TOFFOLI, José Antonio Dias. “O uso das redes sociais nas eleições e nos processos eleitorais: o sistema brasileiro”, 2016. Disponível em: https://www.editorajc.com.br/o-uso-das-redes-sociais-nas-eleicoes-e-nos-processos-eleitorais-o-sistema-brasileiro/. Acesso em: 03/09/2020.



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