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Castração, injetar substâncias químicas nas veias, hipnotizar, operar parte do cérebro, implantar chip no cérebro, dizer que Deus condena, que a sociedade não aceita... Vale tudo para se expressar que "o melhor é não ser LGBT"?

Alguns chamam de cura gay, outros de oportunidade de orientação sexual. Seja como for, a reorientação sexual teve repercussão nas redes sociais após decisão judicial.

Segundo o site Revista Fórum:

Psicóloga da “cura gay” é a mesma que assinou laudo contra Patrícia Lélis sem consultá-la.

Marisa Lobo, psicóloga evangélica, voltou a ser notícia essa semana ao se tornar público que ela, junto com outro grupo de psicólogos, entrou com uma ação popular contra uma resolução do Conselho Federal de Psicologia que culminou na decisão liminar que abre caminho para que homossexuais sejam tratados como doentes.

Ela é uma histórica defensora da “cura gay” e chegou a ter o seu registro profissional cassado Conselho Regional de Psicologia do Paraná por misturar suas crenças religiosas com a ciência.

UMA NOVA TENTATIVA 

Um juiz federal do Distrito Federal autorizou, em caráter liminar, que psicólogos possam atender eventuais pacientes que busquem terapia para reorientação sexual. A decisão atendeu a uma ação de três psicólogos que pediam a suspensão de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP) que estabelece como os profissionais da área devem atuar nos casos que envolvam a orientação sexual de pacientes. O conselho irá recorrer da decisão. (Fonte: EBC)

Como seria essa reorientação sexual? À questão da sexualidade humana sempre causou nos Homo Sapiens (homens sábios) discussões, debates. Com forte crença religiosa, cristã, judaica e muçulmana, os LGBTs sempre foram considerados problemáticos. Isso não quer dizer que na Ásia também não há preconceitos e discriminações aos LGBTs; a Índia também tem seus imbróglios quanto à sexualidade humana.

Os combatentes da relação gay argumentam que a humanidade deixará de existir se o mundo for gay. Esse discurso tem a ver com a incapacidade, biológica, de os gays gerarem, entre eles mesmos, vida. Ou seja, somente casais heterossexuais têm capacidade de gerarem e perpetuarem a espécie humana. É uma verdade. No YouTube, Enéas é endeusado por sua posição contrária ao casamento gay.

VISÃO DOS LGBTs

Os LGBTs afirmam que podem amar e cuidar dos filhos rejeitados pelos heterossexuais. Ou seja, nada impedem os LGBTs de serem ótimos pais — casal gay masculino, ou mães, casal gay feminino. O mesmo se aplica aos transgêneros, podem ser ótimos pais. A diferença entre os gays e os transgênero é que os primeiros, biologicamente, não podem gerar vida, os transgêneros sim. Para os gays, Para que servem os bancos de óvulos e espermatozoides?

O MUNDO NÃO É LGBT

A produção independente de filhos também é praticada, por exemplo, por mulheres que não querem gerar proles pelo método natural, o sexo. Daí a inseminação artificial. Essas mudanças não agradam os conservadores ou tradicionalistas, principalmente os ortodoxos. É homem com mulher, somente. Ambos, heterossexuais.

NO TÚNEL DO TEMPO: lágrima e sofrimento para a felicidade dos 'normais'

Retornando à questão do tratamento. Abaixo, transcrevo:

Certos autores falam em distúrbios do metabolismo. Assim, o homossexual seria aquele indivíduo cujo organismo não assimila devidamente os alimentos, tendo problemas fisiológicos muito sérios. E tais distúrbios se refletiriam diretamente na vida sexual, dando alterações no seu comportamento erótico.

(...)

Também já apelaram para a castração, com o objetivo de curar a homossexualidade. Em países excessivamente radicais esteve na lei penal a ablação dos testículos com essa finalidade e, por incrível que pareça, como punição. Entre eles, citam-se a Suíça, a Noruega, a Dinamarca e a Suécia. De acordo com o sexólogo belga M. Lanval, entre 568 franceses e belgas, 13 desejaram a castração dos homossexuais, em cumprimento da lei. Citam-se casos de recuperação dessa maneira. J. Brener fala de um norueguês divorciado, de 44 anos, devido a sua homossexualidade. Após sofrer a ablação dos testículos, tornou-se ortodoxo e casou-se novamente com a própria mulher. Mas os Drs. Junke, Hahn, Lindbergh e Brasseur pensaram diferentemente quanto ao resultado. Explicam eles:

"Via de regra, qualquer tratamento baseado em operações cirúrgicas ou drogas tende a falhar, mas existem as exceções habituais. Caso houve violadores habituais foram castrados a seu próprio pedido; a castração pode ocasionalmente reduzir a libido e capacitar o pervertido a resistir a seus impulsos, mas isso dificilmente seria considerado cura no sentido adequado da palavra. Certamente, é um absurdo tentar-se curar homossexuais pela castração, como em certa época se julgou possível. Sem dúvida, a operação teria o mesmo efeito de reduzir a libido, como nos casos citados, mas a libido do paciente permaneceria dirigida para homens e não para mulheres" (Vd. Sexo e Amor Hoje).

Há também uma psicoterapia, para tentar a cura da homossexualidade, que consiste em combinar terapêuticas medicamentosas e psíquicas. De início se provoca a repulsa do invertido por suas práticas e, depois, reconciliá-lo com o sexo reprimido. Assim: mandam desfilar, numa tela, fotografias de homens despidos à frente do homossexual, enquanto, simultaneamente, lhe aplicam injeções vomitivas de apomorfina. Então, um alto-falante lhe diz coisas depreciativas sobre amizades particulares. Dois dias após, altera-se o sentido do tratamento, apresentando-lhe imagens de pin-up, no momento em que lhe aplicam injeções estimulantes e tocam discos de vozes femininas suaves, com apelos ao sexo. Chamam a isso terapêutica de punição do mal e reconciliação com o bem. Dizem que tem havido êxito em alguns casos. Na verdade, esse é um processo de reflexo condicionado. A novidade já é bastante antiga. (SILVA, Valmir Adamor da. Nossos Desvios Sexuais. Normal? Anormal? Editora Tecnoprint — 1986)

Vão castrar, injetar substâncias químicas nas veias, hipnotizar, operar parte do cérebro, implantar chip no cérebro, dizer que Deus condena, que a sociedade não aceita e que o melhor é não ser LGBT? Como será essa tal de reorientação sexual nos LGBTs? Parece que os LGBTs estão desorientados quanto à sexualidade humana, e precisam de especialistas na área de psicologia humana para os LGBTs viverem felizes, normais, perfeitos. Os salvadores: os religiosos.

Desde o lançamento do DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), várias discussões, entre os próprios especialistas em comportamento humano, fizeram-se, e continuam. Para alguns profissionais da área, o DSM-V tornou o ser humano altamente problemático, para outros avanços considerados no diagnósticos e nos procedimentos.

Como ciência humana não é ciência exata, e, dentro do possível, sempre há discussões, erros e acertos. O documentário Psiquiatria, uma Indústria da Morte questiona os diagnósticos e os procedimentos da psiquiatria. Aproveito aqui para dizer que não recomendo, jamais, parar qualquer tratamento médico. Também recomendo procurar mais de uma opinião médicaNão procurar, diante dos sintomas, orientação médica, ou parar tratamento médico, o risco à saúde é considerável.

Em tempos de perseguições aos LGBTs, a liminar fomenta ainda mais perseguições ideológicas contra os LGBTs. Sejam pelos neonazistas e os religiosos ortodoxos. E se algum heterossexual quiser reorientação sexual para ser LGBT? Será possível? Doutor, quero ser LGBT, o senhor me ajudaParece que ser ou não ser é condição de simples querer, ser heterossexual ou LGBT. A decisão, neste diapasão, parece ser simplista: a pessoa acorda, ou assiste algum filme, ou escuta algo, e resolve ser heterossexual ou LGBT.


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Como citar este texto (NBR 6023:2002 ABNT)

HENRIQUE, Sérgio Henrique da Silva Pereira. Tratamento psicológico para a reorientação sexual é retrocesso aos tempos sombrios. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 22, n. 5232, 28 out. 2017. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/60690>. Acesso em: 19 maio 2019.

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