O ódio ao feminino reflete no ódio aos homossexuais, aos travestis, aos transformistas, aos transexuais e todo e qualquer símbolo que esteja ligado à mulher.

INTRODUÇÃO

O termo efeminofobia é absolutamente recente e, com os avanços tecnológicos e a pulverização da informática, mesmo os estudiosos da sexualidade não sabem precisar quando ele foi utilizado pela primeira vez. É certo que o termo surgiu com a popularização do termo homofobia, a designar uma espécie dela. Seu surgimento no debate acadêmico é coevo, visto que os primeiros artigos e livros publicados sobre o tema são do final da década de 2000 e início da década de 2010, como os estudos do Ph.D. Ryan Prout[1] e da feminista e psicanalista Eve Kosofsky Sedgwick[2]. Contudo, é possível cogitar que as primeiras utilizações do termo tenha ocorrido no próprio ambiente virtual, em fóruns de discussão ou redes sociais.

Em relação à etimologia, o vernáculo efeminofobia representa uma aglutinação com a palavra efeminado, do inglês effeminate que, por sua vez, surge do latim effeminatus, expressão utilizada pelos romanos para designar características femininas, e, por conseguinte, usado de forma prejorativa, uma vez que no Império Romano a misoginia era um fenômeno culturalmente comum.

E, por óbvio, aglutinado com a palavra grega Φόβια, onde se lê phóbia, que representa medo ou terror[3]. Dessarte, é possível compreender, diante do radical latino e grego, que o termo remete a ideia de uma característica vinculada ao feminino, ou seja, a fobia, que aqui deve ser entendi como aversão, igualmente com a ideia de homofobia, representa uma repulsa a qualquer aspecto feminino. Como o termo é utilizado no contexto da homossexualidade masculina, ela, assim, representa a própria negação do feminino nos homens. Ora, se a efeminofobia representa uma aversão ao feminino nos homossexuais, então qual sua relação a homofobia?

De acordo com Adaid, o conceito de homofobia tem sido utilizado para fazer referência a um conjunto de emoções negativas. É certo que, a palavra foi cunhada em 1971, num artigo científico escrito pelo psicólogo K. T. Smith.  Contudo a palavra só foi dicionarizada na década de 1990. Evidentemente, o vocábulo se origina de um neologismo entre a remissão homossexual e fobia. A despeito de sua popularidade, a expressão foi a única a ser criada por meio do neologismo e com o mesmo significado. Em 1967 Churchill escreveu sobre a homoerotofobia e, no ano de 1976 Lehne optou pela expressão homossexismo[4].

Ainda na crítica de Adaid, não obstante sua popularidade, o vernáculo homofobia apresenta uma evidente falta de lógica, uma vez que. pela análise etimológica, significa medo de iguais, visto que o prefixo grego homo, por si só, não garante o entendimento correto do sentido homossexual. Por esse motivo, parece mais adequada o neologismo criado por Levit e Klassen em 1974, qual seja, homossexofobia. Infelizmente esta não foi expressão que vingou, e, para evitar futuros imprevistos, a garantir o melhor entendimento do propósito da pesquisa, ficou definida a versão mais popular. Porém seja qual for sua forma de expressão linguística, a homofobia sempre vai indicar, em última análise, no ódio pelo feminino[5] [6].

Pode-se, pois, definir a relação entre a efeminofobia e a homofobia, grosso modo, como espécie e gênero. Em outras palavras, enquanto o efeminofóbico é aquele que tem aversão específica ao feminino, como se a falta de virilidade ou masculinidade fosse uma determinante essencial para a vida em sociedade, de acordo com os decretos da heteronormatividade cultural, por outro lado, o homofóbico odeia a homossexualidade de forma mais genérica.

Assim, de forma clara, o efeminofóbico apenas rejeita os traços e trejeitos femininos nos homossexuais, ao turno que os homofóbicos rejeito a homossexualidade em sua forma plena. Por tal feita, é possível afirmar que a efeminofobia não é um fenômeno encontrado apenas entre os grupos heterossexuais, como será melhor explorado a diante, a efeminofobia atinge também – e talvez isto que a torne um fenômeno preocupante e, ao mesmo tempo, estranho – os próprios grupos homossexuais. Ora, mas se a homofobia, como conclui Adaid não representa, em última análise, o ódio ao feminino, a saber que os homossexuais representam por evidente a heteronormatividade, como compreender a dinâmica entre: homofobia, efeminofobia e feminino?


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Como citar este texto (NBR 6023:2002 ABNT)

ADAID, Felipe. Discutindo sobre a efeminofobia. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 23, n. 5366, 11 mar. 2018. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/61443>. Acesso em: 20 set. 2018.

Comentários

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    Wilson Gealh

    Pelo que me consta, os "efeminados", como o autor insiste em identificar esse grupo, deve mesmo ter ódio das mães que os criou, sim, porque não há outra explicação plausível. Para se vingarem das mães roubam os seus filhos desencaminhando-os para seus grupos, impedindo a "femea mãe" de ver seu filho feliz e dentro do corpo masculino para o qual a natureza o criou. Mas é mais fácil direcionar a artilharia de palavrórios vazios e inconsistentes para tentar destruir as mães, mães que esse grupo não pode cooptar, NÃO CONSEGUEM SE REPRODUZIR POR SI SÓ. Precisam insuflar as massas contra as mães para cooptarem mais "simpatizantes" para sua autodestruição. NÃO SOU CONTRA OS "efeminados...", apenas nao concordo com os meios espúrios pelos quais fazem apologia contra a Familia, contra os heterosexuais, contra a Sociedade. PELA PAZ NAS FAMILIAS, pela cessação da apologia contra a Familia. Que cada um viva sua opção sem interferir semeando a discordia entre as Familias, e que cada grupo sobreviva pelos seus próprios meios, se os conseguirem.

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