Artigos
Quem decide quando ninguém decide? O compliance como metafísica do medo — e a fábrica silenciosa de ansiedade nas organizações
O compliance como metafísica do medo — e a fábrica silenciosa de ansiedade nas organizaçõesHavia um gestor — chamemo-lo de Augusto — que nunca tomava decisões. Ou melhor: tomava todas, mas sempre depois de consultar um comitê, três políticas internas,...
Responsabilidade sem autoria: o paradoxo das decisões gerenciais em estruturas hierárquicas
IntroduçãoHá decisões que ninguém tomou, mas que todos executaram.Há danos que ninguém quis, mas que alguém deve reparar.Entre esses dois abismos — intenção e consequência — o Direito ergue suas pontes conceituais, muitas vezes feitas de ficções necessárias. Mas e...
O arquiteto invisível: como o direito habita as decisões corporativas (e por que os gestores não percebem)
Introdução: o fantasma que assina contratosToda decisão corporativa parece nascer de números, planilhas e estratégias. Um gestor olha para o mercado, avalia riscos, projeta lucros e decide. Simples assim. Ou não.Há um fantasma elegante que atravessa cada decisão empresarial sem...
Direito, Clima e Justiça: Da Existência ao Dever de Proteger
IntroduçãoO direito contemporâneo não pergunta apenas “o que é o direito?”, mas “para quem e para quê ele existe quando o planeta aquece, cidades desaparecem e florestas viram brasa?”O direito climático transforma fatos ambientais em dever jurídico, garantindo proteção à...
A empresa como ficção operacional: por que gestores administram narrativas jurídicas — e não apenas negócios
Introdução — o CNPJ sonha?Uma empresa não sangra, não adoece, não teme a morte. Ainda assim, pode falir, ser punida, “sofrer” dano moral e até responder criminalmente. Que tipo de criatura é essa que vive de papéis, contratos e expectativas?...
O direito como ficção operacional: entre a violência, a linguagem e o impossível da verdade
Uma leitura crítico-filosófica sobre a natureza narrativa do sistema jurídico e suas tensões com a realidadeI. A ILUSÃO DA PACIFICAÇÃO: O DIREITO COMO ORGANIZAÇÃO DA VIOLÊNCIAO Direito não pacifica o mundo. Essa talvez seja sua confissão mais incômoda e, ao...
Ontologia do conflito jurídico: o direito não resolve o caos — ele decide quando o caos passa a existir oficialmente
INTRODUÇÃO — O DIA EM QUE O MUNDO SÓ EXISTE DEPOIS DA CONTESTAÇÃOO conflito não começa quando alguém fere alguém.Começa quando o Direito diz: “isto aqui agora é conflito.”Antes disso, há apenas matéria bruta da vida: tensão sem nome, dor...
Ontologia do Conflito Jurídico: o Direito cria o conflito ou apenas lhe dá nome?
Introdução — o conflito antes do verboAntes da petição inicial, antes da sentença, antes mesmo do Código abrir seus olhos de papel, algo já pulsa: tensão, fricção, assimetria, desejo, medo. O Direito gosta de se apresentar como mediador civilizatório, mas...
Os Fantasmas dos Universais Jurídicos: Igualdade, Dignidade e Justiça — Realidade Ontológica ou Convenção Linguística?
Entre Platão, Kafka e o Supremo: quando o Direito sonha que seus conceitos existem fora da linguagemIntrodução — O tribunal invisível onde palavras julgam o mundoHá uma estranha cena silenciosa no coração do Direito moderno: juízes invocam “igualdade”, legisladores proclamam...
O julgamento da liberdade: entre o cérebro que decide e o direito que finge não saber
Há uma hipótese silenciosa que sustenta todo o edifício jurídico moderno, como um andaime invisível que ninguém ousa remover:o ser humano é livre.Não porque isso tenha sido provado.Mas porque, sem essa premissa, o sistema inteiro perde o chão.E aqui nasce...
O erro não existe — mas o Direito finge que sim para continuar funcionando
Ou como o sistema jurídico transforma incerteza humana em sentença definitivaINTRODUÇÃO: A GRANDE FRAUDE SILENCIOSA DO DIREITO MODERNOO Direito não lida com a verdade.Ele lida com versões.E, ainda assim, insiste em chamar essas versões de “fatos”.A pergunta que deveria abalar...
A obrigação jurídica sem chicote: por que obedecemos normas mesmo quando ninguém está punindo?
1. A estranheza esquecida do Direito cotidianoHá uma pergunta que parece simples, quase ingênua, mas que desestabiliza o Direito quando levada a sério:por que normas obrigam mesmo sem coerção imediata?Se o Direito fosse apenas medo institucionalizado, ele colapsaria toda manhã...
O fantasma que contrata, demite e julga: a pessoa jurídica como entidade não corpórea e a metafísica do poder invisível
Introdução — quando o Direito cria fantasmas que assinam contratosHá algo de perturbador, quase teológico, na ideia de que entidades sem corpo podem agir no mundo com mais força que corpos humanos. Uma empresa demite, um Estado prende, um banco...
O Processo como Alucinação Institucionalmente Organizada: Verdade, Prova e as Versões do Mundo no Direito
Introdução — A verdade senta no banco das testemunhas, mas nunca fala sozinhaHá algo inquietante no processo judicial: ele promete verdade, mas entrega versões. Promete realidade, mas opera com reconstruções linguísticas, fragmentos de memória, vestígios de linguagem e inferências normativas....
O Estado que Sonha: entre o delírio necessário e a ficção juridicamente eficaz da realidade
Introdução: o Estado existe ou apenas insiste?Há uma pergunta que o Direito prefere tratar como resolvida, embora nunca a tenha realmente digerido: o Estado existe como coisa, como ideia ou como narrativa coletiva suficientemente repetida para produzir efeitos reais?No cotidiano...
O réu invisível da causalidade: quem responde quando o dano nasce de sistemas e não de pessoas?
Introdução — O colapso silencioso da causalidade clássicaHá momentos em que o Direito parece seguro de si, como se ainda vivesse no mundo das ações lineares: alguém age, alguém sofre, alguém responde.Mas o mundo real já abandonou esse conforto há...
O Réu Invisível das Causas: causalidade, responsabilidade civil e a engenharia jurídica do risco na era dos sistemas complexos
Introdução: o Direito diante do mundo que não cabe no verbo “causar”O Direito civil moderno repousa sobre uma promessa silenciosa: de que é possível identificar a origem de um dano. Essa promessa sustenta o art. 186 do Código Civil e...
A Justiça é um Fantasma, um Arquiteto ou um Espelho Rachado?
Introdução — quando a Justiça começa a olhar de voltaA Justiça raramente entra em cena como conceito puro. Ela chega como toga, como sentença, como lágrima contida no corredor do fórum, como algoritmo invisível filtrando decisões, como estatística fria de...
A Prescrição do Infinito II: violência, memória e o colapso entre o tempo penal e o tempo psíquico
Um ensaio entre STF, STJ, trauma e metafísica da responsabilidade1. O Direito Penal e a obsessão pela finitude do tempoO Direito Penal brasileiro é, em essência, uma engenharia do fim.Ele não suporta o infinito.Por isso, constrói três mecanismos de contenção...
A Prescrição do Infinito: quando o Direito tenta domesticar o tempo e o tempo responde em silêncio
Tempo jurídico vs tempo metafísico — a colisão entre o prazo que extingue direitos e o instante que nunca deixa de existirIntrodução — o relógio que acusa e o tempo que não perdoaO Direito acredita no relógio.A existência, não.Entre ambos,...